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Jimmy Cliff morre aos 81 anos e provoca comoção entre artistas brasileiros e fãs do reggae

Lenda jamaicana inspirou gerações e encontrou no Brasil um dos seus maiores berços afetivos

Jimmy Cliff morre aos 81 anos e provoca comoção entre artistas brasileiros e fãs do reggae
Jimmy Cliff morre aos 81 anos e provoca comoção entre artistas brasileiros e fãs do reggae (Foto: Reprodução)

O universo da música amanheceu em luto nesta segunda-feira (24) com a morte de Jimmy Cliff, ícone do reggae, cantor, ator e ativista jamaicano, aos 81 anos. Reconhecido mundialmente pelo impacto cultural de sua obra, Cliff construiu uma trajetória que ultrapassou fronteiras e criou laços profundos com o Brasil — em especial com o Maranhão, onde sua música se enraizou como parte da identidade local.

A notícia repercutiu rapidamente entre artistas e personalidades brasileiras, que destacaram a importância histórica e emocional da obra de Cliff.

Nas redes sociais, Gilberto Gil lembrou a influência direta do jamaicano sobre sua própria produção musical e sobre a consolidação do reggae no mundo.
“Jimmy Cliff influenciou e seguirá influenciando minha música. Obrigado por tanto.”
Gil destacou ainda que, antes mesmo da ascensão mundial de Bob Marley, Cliff já abria caminhos para o reggae:
“Bob Marley estoura nos rádios depois do Cliff, inclusive pela mesma gravadora.”

Outro artista que prestou homenagem foi Chico César, que ressaltou o legado político e cultural do cantor:
“Hoje perdemos um mestre da música afrodiaspórica. Jimmy Cliff, junto com Peter Tosh e Bob Marley, instaurou uma revolução que nasce na Jamaica e representa o sentimento de todos os pretos das Américas.”
O paraibano também recordou momentos de convivência pessoal com Cliff em turnês fora do Brasil:
“Uma criatura doce, educada e apaixonada pelo nosso país. Jimmy, eterno para sempre. Irmão, vai com Deus.”

Maranhão: a casa brasileira de Jimmy Cliff
No Maranhão, onde o reggae é mais que música, é cultura, a morte do artista ganhou uma dimensão profunda. O jornalista e DJ Ademar Danilo, diretor do Museu do Reggae, descreveu o sentimento coletivo:
“O dia amanheceu triste.”
Segundo ele, a relação do estado com Jimmy Cliff é histórica e afetiva:
“Jimmy Cliff foi um dos primeiros artistas amados aqui. Muito antes de Bob Marley. Suas músicas já embalavam os salões na virada dos anos 1970.”
Danilo destaca que o álbum Follow My Mind (1975) é, até hoje, um dos discos mais influentes entre os regueiros maranhenses:
“Foi um estouro. Meio século depois, ainda toca nos bailes e as pessoas correm para dançar.”

Além da importância musical, Cliff deixou marcas profundas na identidade cultural de São Luís:
“Ele se sentia em casa aqui. Frequentou clubes de reggae na periferia, conversou com fãs, deitou em redes, comeu manga do pé. Foi ele quem ajudou a difundir o apelido de São Luís como ‘Jamaica Brasileira’.”
O diretor lembrou também de um encontro emblemático com o cantor no Institute of Jamaica, quando representou oficialmente o Museu do Reggae:
“Ele lembrou das conversas que tivemos no Maranhão. Dias antes havia recebido um doutorado honoris causa. Foi um momento de grandeza.”
Para Danilo, a comoção resume o tamanho do impacto do artista:
“Hoje, em São Luís, só se fala em duas coisas: o festival Ilha do Reggae, que aconteceu ontem, e a morte de Jimmy Cliff. Dormimos alegres e acordamos tristes.”

Um legado eterno
Autor de clássicos como “Many Rivers to Cross”, “The Harder They Come”, “You Can Get It If You Really Want” e tantos outros, Jimmy Cliff foi uma das figuras mais importantes para a difusão global do reggae — influenciando artistas, comunidades e culturas mundo afora.
Sua partida deixa um vazio na música, mas seu legado permanece vivo em cada canto onde seu som ecoou, especialmente no Brasil, que fez do jamaicano um de seus ídolos mais queridos.

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